CONDIÇÕES ATUAIS DO ENOS: CARACTERIZAÇÃO DO EL-NIÑO

A caracterização da fase do ENOS é analisada por meio de cálculo de índices, tais como o Índice Oceânico Niño (Oceanic Niño Index – ONI), e o Índice Oceânico Niño Relativo (Relative Oceanic Niño Index – RONI, https://doi.org/10.1175/JCLI-D-23-0406.1), definidos, respectivamente, pela média móvel trimestral da anomalia de temperatura da superfície do mar (TSM) para a região do Niño 3.4 (localizada na porção central do Pacífico Equatorial), e pela média móvel trimestral da diferença entre a anomalia de TSM da região do Niño 3.4 e a anomalia de TSM média global entre 20°N e 20°S, diferença esta ajustada de modo que o RONI possua a mesma variabilidade do índice ONI.

Os eventos El Niño e La Niña são caracterizados quando os índices ONI ou RONI apresentam, por no mínimo cinco períodos de três meses consecutivos, valores de anomalias superiores a 0,5°C para eventos de El Niño, e inferiores a -0,5°C para eventos de La Niña. Temos também o Índice de Oscilação Sul (Southern Oscillation Index – SOI) que representa a diferença na pressão média do ar ao nível do mar entre Taiti (na região da Polinésia Francesa, no Pacífico central) e Darwin (no norte da Austrália). O comportamento desta diferença (gradiente) de pressão entre essas duas localidades medida pelo Índice de Oscilação Sul, em conjunto com os índices oceânicos ONI ou RONI, podem indicar a condição do acoplamento entre o Oceano Pacífico e a atmosfera no sentido do estabelecimento de eventos ENOS. Em condições de El Niño (La Niña) a pressão é mais baixa (alta) do que a normal em Taiti e mais alta (baixa) do que a normal em Darwin, resultando em um valor negativo (positivo) do gradiente zonal de pressão e do Índice de Oscilação Sul.

O padrão de anomalias de TSM observado em março de 2026 ao longo do Pacífico equatorial central mostra valores próximos ao da climatologia, condizentes com a fase neutra do ENOS, porém, já é notada a presença de anomalias positivas de TSM no Pacífico Leste, assim como a propagação de ondas subsuperficiais com anomalias positivas de temperatura que se aproximam à costa da América do Sul. Os modelos climáticos de previsão indica que, durante o período maio, junho e julho (MJJ) de 2026, as anomalias de TSM na região do Niño 3.4 poderão apresentar valores acima da média climatológica. As previsões de ENOS divulgadas pelos meteorologistas do CPC/NOAA no início de abril de 2026 sinalizam ~60% de probabilidade para a ocorrência de condições de El Niño em MJJ 2026, com a possibilidade da atuação do fenômeno até o final do ano de 2026/início de 2027. Porém a intensidade do fenômeno ainda está indefinida, embora haja a possibilidade, em função do alto nível de energia (calor) contido nas águas subsuperficiais do Pacífico Equatorial, do desenvolvimento de um fenômeno de pelo menos intensidade moderada.

El niño

O El Niño e a La Niña são partes de um mesmo fenômeno atmosférico-oceânico que ocorre no oceano Pacífico Equatorial (e na atmosfera adjacente), denominado de El Niño Oscilação Sul (ENOS). O ENOS refere-se às situações nas quais o oceano Pacífico Equatorial está mais quente (El Niño) ou mais frio (La Niña) do que a média normal histórica. A mudança na temperatura do oceano Pacífico Equatorial acarreta efeitos globais na temperatura e precipitação. Saber mais

Últimas Ocorrências

Efeitos Globais

Impactos no Brasil e na América do Sul

La niña

La Niña representa um fenômeno oceânico-atmosférico com características opostas ao EL Niño, e que caracteriza-se por um esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Alguns dos impactos de La Niña tendem a ser opostos aos de El Niño, mas nem sempre uma região afetada pelo El Niño apresenta impactos significativos no tempo e clima devido à La Niña. Saber mais

Últimas Ocorrências

Efeitos Globais

Impactos no Brasil